Super Ténéré 1200. Tecnologia em Prol à Segurança

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Super Ténéré 1200. Tecnologia em Prol à Segurança

A maior dificuldade do ser humano é conseguir equilibrar o lado emocional com o lado racional. Calma! Eu explico: há muito tempo li em uma revista especializada em motociclismo onde o autor definia a diferença entre o ato de pilotar e o ato de dirigir. A resposta  resumida a esta diferença é: existem motos fáceis de pilotar e existem motos difíceis de pilotar. Colocar o esforço das técnicas de pilotagem, sentir a moto na mão, controlar as acelerações e re-acelerações, estar sensível às diferenças de solo, manter a força de frenagem calculadamente para não travar as rodas e, ao mesmo tempo equilibrar as emoções quando há uma emergência, um susto, uma quase queda ou colisão, manter as atenções no foco prioritário, prever riscos, decidir o certo do errado, isso é pilotar.  Agora, dirigir, simplesmente o condutor se esquece de algumas atitudes acima mencionados nas técnicas e não controla suas emoções em momentos de tensão no trânsito. A XT 1200 Z Super Ténéré, (modelo testada 2015, STD) oferece a segurança necessária quando o piloto não percebe a real sensibilidade

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Sua ciclística é excelente, propondo uma agilidade invejável para big-trails de sua categoria, opinião do piloto Thiago Zuliani

no acelerador, nas forças de frenagens e até mesmo no tipo de solo que se esta trafegando. É, de fato, uma moto surpreendente, facílima de pilotar e de controlar. Vamos, então, aos motivos que me levaram a esta gostosa surpresa:

Agilidade e Manobrabilidade:

Seu chassi backbone ( tipo diamante, onde o motor faz parte do chassi) , somado as rodas de 19 polegadas frontal e 17 traseira, mais entre-eixos ideal para uma big-trail em conjunto ao ângulo de trail e altura do solo ( mínima de 205 mm), faz desta moto um “brinquedinho” de pilotar, facilitando muito as manobras de baixa velocidade e ágil suficiente em saídas rápidas de obstáculos em velocidades maiores. Isso é segurança! A moto está sempre na mão do piloto. Sim, pode-se dizer que ela é muito obediente às vontades do condutor, ou seja, esta moto sabe quem manda! Vejam o vídeo abaixo e analisem por si mesmo:

Dificultar para Proteger:

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Reparem nas “borboletas” de ajustes de altura da bolha: exigência do uso das duas mãos para o controle de altura. ISSO É SEGURANÇA, pois obriga o piloto a parar a moto, evitando a tentação de tirar uma das mãos do guidão para ajustar a bolha enquanto em movimento da moto

Um dos pontos que, à princípio, achei que poderia ser uma crítica, era com relação a dificuldade que tive de acertar a altura da bolha. Em outras marcas de Big Trail, fazem questão de facilitar os ajustes da bolha enquanto a moto está em movimento. De fato, isso é um conforto para o piloto. Mas será que é seguro tirar uma das mãos do guidão para aumentar ou diminuir o vento frontal ao corpo do piloto? A Super Ténéré 1200 modelo 2015 exige o ajuste com as duas mãos, isto obriga o piloto a parar a moto. Mais um ponto para a segurança do condutor!

 

 

Facilitar para Proteger:

Claro que facilitar o controle de cada comando que a moto possui trará, além da comodidade, a

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Foto: divulgação da Yamaha do Brasil, retirada em pesquisa Google.

prioridade às atenções ao trânsito. Por isso, nos modelos 2015 da Super Ténéré 1200, a Yamaha projetou todos os comandos ( a não ser as mudanças do controle de tração) para o guidão. Vamos lá:

– modo de pilotagem Turing (T) para Sport (S): esta mudança do modo de pilotagem poderá ser feita com a moto em movimento, com o botão de mudança ao lado direito do guidão, porém, sempre visando a segurança, pois a mudança só será aceita pela moto quando o piloto estiver desacelerando. Muito bom, pois o modo T para o modo S a diferença de aceleração é muito evidente. A sensibilidade no acelerador é brutal, deliciosa e emocionante.

controle de aceleração automático (piloto automático): tai um modo de pilotagem onde o piloto tem que ter muita noção do perigo, pois deixar a moto ser acelerada sozinha, sem o controle humano, é cruel. Imaginem se a moto está acelerando sozinha e o piloto não percebe o trânsito parando em uma estrada, ou mesmo chegando a entrada de uma curva? Por isso a Yamaha alerta muito bem aos seus proprietários o seguinte:

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Embora seja um conforto, o condutor deve utilizar o controle de aceleração automática de modo racional

– alteração do menu: com relação aos menus de outros modelos de motos , o da Super Ténéré é simples de ser manuseado. Todas as informações importantes e necessárias estão no display digital, que por sinal é muito eficiente e ergonômico . Mas tal simplicidade, ou facilidade, de manuseamento do menu, não dá ao piloto a chance de perder a concentração ao o que é mais importante: o trânsito! Por esta razão, a Yamaha projetou que algumas alterações não poderão ser feitas com a moto em movimento. É, facilitar para proteger, mas sem tirar a concentração.

Controles Eletrônicos, ABS, UBS e TCS, Tudo em Prol à Segurança:

Sabem aquela história entre a diferença de pilotar e dirigir, que mencionei acima? Pois bem, esta moto facilita muito a pilotagem. De fato, é uma moto fácil, divertida e muito, mas muito segura. Ao pilotá-la senti tanta facilidade que nem percebi o peso de 261 kg ( versão STD). Parecia, de fato, uma moto pequena, dócil, uma máquina controlável.   Portanto, vamos às minhas impressões:

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A sensação de segurança nas frenagens fora do asfalto é muito grande. “ABS Off-Road”. Sim, deu um medão danado, mas ela parou sem derrapar

ABS – Sistema Antitravamento das Rodas: a Yamaha define o ABS como Linear. Mas como isso acontece? Sensores acusam o tipo de solo e ajuda a impor a força necessária nos freios para parar a moto. Caso as rodas travem, o ABS é acionado. Bem, isso é normal para quase todas as motos com ABS. Sim, mas na Super Ténéré essa “sensibilidade de forças” é controlada, com muita diferença a outros modelos dos quais o ABS é acionado sem controle, ou seja, qualquer mudança de solo, o mínimo que seja, o ABS é acionado. Por isso que na XT 1200 Z não há a possibilidade, ou a necessidade de desligamento do ABS, pois na terra, onde é muito recomendado o seu desligamento, esse modo de frenagem é excelente, trazendo muita segurança nas frenagens em solos escorregadios. Posso dizer que, imitando o marketing de um modelo de caminhonete famosa, é um ABS off-road.

– UBS – Sistema Unificado de Frenagem: isto é, simplesmente,  freios combinados. Mas com muitas diferenças entre os freios combinados de outras marcas e modelos, os quais configuram das seguintes formas:

– ou dando força somente no freio dianteiro e, automaticamente acionando a freio traseiro, o qual é acionado com força menor do que o dianteiro; ou acionando somente o freio traseiro, o dianteiro é acionado automaticamente com força menor em relação ao traseiro; ou acionando o dianteiro, também aciona o traseiro e vice versa de forma automática.

Porém, nestas versões (não todas) de modelos os freios combinados podem ser eletrônicos, ou não. E, também, com acionamentos com forças previamente estabelecidas sem um modo de ajuste às necessidades de solo ou forças emanadas pelo piloto. No teste que fiz, percebi essa eletrônica na Super Ténéré nem tanto em solo asfáltico, como mostra o vídeo abaixo, mas sim em solo de terra batida. Amigos leitores, é muito bom! Esta moto “analisa” o solo e “compensa” as necessidades do uso das forças necessárias para parar a moto. Pena que não cosengui produzir um vídeo com esta moto em terra, na questão das frenagens.

– TCS –  Sistema de Controle de Traçãouma das tensões de todo piloto que utiliza uma moto torcuda (11,9 kgf a 6000 rpm) e potente como esta moto é (112 cv a 7.250 rpm), está nas retomadas de acelerações em saídas de curvas ou arrancadas, principalmente em condução em pista molhada ou em estradas de terra. O controle das re-acelerações deve estar na mão do piloto, mas a tração eletrônica veio para ajudar. Na Super Ténéré existem dois modos de tração eletrônica e, também, o modo desligado. O acionamento deve ser com a moto parada. O modo 1 de tração é o que está sempre ligado, porém, para situações em solos menos aderentes, o modo 2 está disponível. A foto ao lado mostra a moto com a tração desligada.

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Insisti em re-acelerar, com a tração eletrônica desligada. Atolamento de certo!

E não adianta ligar a tração para tirar a moto desse enrosco, pois a motocicleta percebe que o terreno está escorregadio, assim a eletrônica é acionada fazendo a roda não tracionar. Então, amigos, força bruta nos músculo humanos para tirar a moto do buraco! Na outra foto o controle eletrônico está ligado, e uma quase queda por causa de uma força repentina no acelerador fazendo a moto derrapar, porém, logo

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Modo de controle eletrônico ligado, estabilização em momentos de derrapagens causadas por re-acelereções fortes

em seguida a moto percebeu a derrapagem e a tração eletrônica a estabilizou. No final do post há um vídeo que o leitor perceberá as derrapagens controladas eletronicamente nas re-acelerações em estrada de terra e a confiança nas curvas em estradas asfaltadas. Mas quero esclarecer que existem dois tipos de derrapagens: – derrapagens voluntárias 9 intencionadas), feitas de propósito e controladas pelo piloto ou pela eletrônica; e derrapagens involuntárias (não intencionadas), as quais não dependem de re-acelerações brutas e repentinas, mas dependem de solos escorregadios, principalmente nas curvas, onde a moto desliza para o lado e que a eletrônica para evitar isso ainda não existe (ainda!) Por isso, a “HABILIDADE COMPORTAMENTAL” ainda é a mais eficiente do que a “HABILIDADE TÉCNICA” ( leiam, por favor, http://www.amaralinstrutor.com.br/pilotagem-segura/habilidade-comportamental-x-habilidade-tecnica-qual-a-mais-importante/).

Conforto, Ergonomia e Comodidade. Resumo das Impressões:

Este modelo, a standard, me conduziu muito bem. A altura do banco estava a mais baixa (845 mm). Eu tenho 1,79 m de altura e não sofri nenhuma turbulência de ventos frontais com a bolha mais baixa, mesmo usando capacete off-road e acima de 100 km\h.  A posição do piloto é ereta, com as pernas pouco flexíveis, não cansando em pilotagem de duração mais longa. Minha garupa fiel não reclamou em nada, mesmo com a suspensão mais dura, regulada manualmente ( a versão DX esta suspensão é eletrônica). As retomadas de velocidade, como em ultrapassagens, são excelentes e muito seguras, principalmente quando a moto está no modo de pilotagem Sport. A autonomia é muito boa. Ela consegue ir um pouco além dos 400 km com o tanque de 22,6 litros ( mínimo de 18  e máximo de 21 km\l). Isso porque eu forcei o motor ao máximo, andando em areia, testando a tração eletrônica em seu ápice e forçando marchas para entender a rotação do motor.Muito bem calçada, esta moto anda com os pneus Metzeler Tourance EXP, os quais, como qualquer on-off road, são melhores no asfalto do que em estradas de terra. Mesmo com a tração eletrônica, sofri um pouco em terra fofa. De certo, é uma big trail de personalidade, feita para qualquer tipo de piloto, àqueles que pilotam ou mesmo àqueles que dirigem, ou seja, feita tanto para pilotos experientes e pilotos que estão começando agora ao mundo das Big Trais.

Observação:

NENHUMA TECNOLOGIA SUBSTITUIRÁ A CAPACIDADE DO SER HUMANO DE DECIDIR SOBRE O CONTROLE DE QUALQUER MÁQUINA E, PRINCIPALMENTE, DO CONTROLE DAS DECISÕES PESSOAIS . POR ISSO TREINAR, SE ESPECIALIZAR, RESPEITAR SEUS LIMITES E OS LIMITES DA MÁQUINA É O QUE TRARÁ PRAZER E SATISFAÇÃO NA PILOTAGEM, POIS TRARÁ VIDA!

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Prazer e conforto, esta moto leva o piloto para aonde quiser ir

 

Agradecimentos:

Caio Neumanm, da  Agência IDEAL

Antoniela Silva, Yamaha do Brasil

Thiago Zuliani, instrutor e avaliador de performance da Carlos Amaral & Zuliani Motorcycle Training, onde produziu um vídeo com as suas análises

Fotos: e Fimes Geórgia Zuliani

Texto e edição, avaliador de performance e responsável pelas avaliações: Carlos Amaral

HLX Racing, veste Carlos Amaral

Algumas Fotos e Vídeo dessa avaliação:

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Instrutor Thiago Zuliani

 

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Instrutor Caê Carnevsks

 

 

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Fotógrafa Geórgia Zuliani

 

 

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  1. Francisco Basílio de Lima diz:

    Belissimo artigo, e fotos e filmes que ilustram com perfeição!!

  2. Ricardo Raipp diz:

    Parabéns pela ótima analise e considerações!…Venho acompanhando via Face seus comentários a algum tempo e sempre são relevantes.
    Forte abraço!

  3. Fala Amaral! Acabei de comprar uma ST 2012 com 10.500 Km e estou curtindo. Tentarei voltar a um dos seus cursos em SP para testar os limites em segurança. Abraço e parabéns pelo teste.

  4. Grande Amaral,

    Parabéns meu caro, belíssimo artigo, e agora?,,avaliando a moto em diversas situações,,, balançou na sua decisão??,,de qual será sua próxima moto?,,,rss.

    Em breve devo estar pilotando novamente, vou te ligar e aparecer aí em SBC, é no estacionamento do Wall Mart não é?

    Forte abraço pra vc e beijo pra Geórgia. T+.

  5. Caro amigo, parabéns pela análise impecável desta moto que em relação ao preço das concorrentes tem tecnologia igual ou superior, qualidade e preço inferior às famosas BMW e outras. Eu daqui há 3 tres anos, após quitar minha Tenerée 660, que é também show de bola, irei comprar sem titubear esta MAQUINA espetacular. A Yamaha está em busca do topo também neste segmento, pois nas 600 ela já está dominando. Um grande abraço e feliz 2015.

  6. Paulo Quinelato diz:

    Excelente artigo, parabéns!!
    Pergunta: Será que vale o investimento de pagar pelo modelo DX? (Com ajuste eletrônico da suspensão e manopla aquecida).

    Abs

    • Boa e difícil pergunta essa sua, amigo Paulo. O ajuste eletrônico é, de fato, muito boa, com inúmeros ajustes. A manopla aquecida é para viagens em lugares com muito frio. Então, se sua necessidade é fazer várias viagens, onde exige muitas trocas de bagagens durante uma viagem ( é o meu caso, pois ás vezes viajo para ministrar cursos, onde deixo as bagagens no Hotel, e saio para o local da pista sem as bagagens) onde exige muitos ajustes de suspensão, acho que vale a pena comprar a DX. De fato, a diferença de preço é bem alta, mas confesso que a STD foi perfeita ás minhas necessidades. O ajuste eletrônico pode ser considerada um luxo obsoleto, mas é um luxo funcional, e não obsoleto. Mas devo lhe dizer que o ajuste manual é, também, muito bom e prático. Um grande abraço.

  7. É uma excelente moto, seus comentários são precisos e definem bem a máquina. Pelo conforto que oferece não mais a enxergo como Big Trail, mas como uma Touring. Raros são os que a usam como Trail, embora você tenha demonstrado que ela é capaz de desenvolver relacionamento com trilhas. Para o segmento Big Trail puro, sou KTM, áspera, suspensões de curso infinito e pouca importância para cores e adesivos ou bancos com gel etc. KTM é aventura, Super Teneré é moto de cruzeiro. Agora sofrerei por meus comentários sinceros kkk

    • Você está certo, amigo Kaiser. De fato sua observação demonstra uma frase que aprendi com um aluno:”… Enquanto mais Big menos Trail..” Porém, as Big Trails são mais Touring do que Trails. Sua comparação com a KTM (Super Adventure 1290, 990 Adventure ou a 1190 Adventure) pode, também, ser consideradas Big Trails com conforto de Touring, e a frase dita pelo meu aluno continua sendo verdadeira para as KTM, mas devemos notar que as KTM mencionadas são as mais Trails da categoria, não somente pelas suspensões “mágicas” que elas possuem, mas também, pelo chassi e rodas dianteira de 21 polegadas ( no caso da 990 adventure ). Kaiser, muito obrigado pelas trocas de informações e experiências. Um forte abraço.

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