Fazer 250, a “pequena grande” notável. Aspectos da segurança na pilotagem.

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Fazer 250, a “pequena grande” notável. Aspectos da segurança na pilotagem.

Pequena no contexto, porém grande nas mudanças que a Yamaha fez com esta Fazer 250 ABS. A sua antecessora já era formidável e agora, este novo modelo ficou muito, mas muito melhor. Melhor em que? Bem, vamos lá.

Ah! Antes que falem que sou “puxa saco” da Yamaha, deixem-me fazer uma crítica: os espelhos retrovisores, para quem tem ombros e costas largos, os pontos cegos são fortes. A Yamaha poderá rever o desenho desses espelhos para melhorar a visão traseira, sem precisar que o piloto se mexa muito para enxergar melhor quem vem de trás. 

Entendendo a Ciclística. Falando de segurança:

Uma das principais mudanças para este modelo 2018 foi a diminuição do  ângulo de cáster para 24,5 graus (antes era 26,5) e do trail para 98 mm. Somados à dieta de -4 kg e a centralização de massas, esta moto ficou muito ágil, perfeita para  a condução em trânsito urbano e em saídas rápidas de obstáculos, deixando-a mais segura em inclinações maiores com seu pneu traseiro mais largo. Ah! o chassi mudou para o tipo diamante, onde o motor faz parte de sua estrutura (antes era de berço semi duplo) . Tudo isso deixou a moto muito leve, ágil, fácil de pilotar e prazerosa na condução.

Confesso que, ao ver esse pneu traseiro mais largo, pensei que a Fazer ficaria mais difícil e lenta nas inclinações em curvas. Tenho alunos, inclusive meu filho, que tinham a Fazer modelos mais antigos onde trocaram os pneus originais (130 mm) para pneus mais largos (140 mm) ficando muito “xoxa” e “pesada”, parecendo que estava com pneu vazio. No entanto, a Yamaha acertou nesta nova versão, com o cáster e trail reduzidos e motor fazendo parte do chassi, deixando a moto mais “leve”, gostosa de pilotar, mesmo com pneu traseiro mais largo.

Suspensão, entre eixos e rodas de 17 polegadas. Ainda falando de segurança:

Calma! Sim, eu sei que agilidade e facilidade em inclinações também dependem de um entre eixos menor. Mas nesta versão, o entre eixos continua o mesmo (1360 mm). Também sei que uma suspensão com curso e rodas menores ajudam no comando em saídas rápidas de obstáculos. É, tai o segredo da Yamaha, pois não precisou mudar entre eixos e nem rodas menores. Ao invés disso, até mesmo aumentou o curso de suspensão (antes era 120 mm dianteira) para 130 mm, deixando a Fazer muito mais confortável para garupa e piloto, com a dureza ideal que combina esportividade e conforto ao mesmo tempo. Uma boa mudança foi o ajuste da pré-carga traseira que agora pode ser ajustada em até 7 níveis.

Freando a “magrela”, ajudado pelo ABS, suspensão e pneu. Mas…

Todos que me conhecem sabem da minha fixação em frenagens, pois sei que a parte mais difícil, e perigosa, de uma pilotagem de moto estão nas frenagens repentinas, onde o piloto não teve a atenção, ou previsibilidade suficientes para evitar tal tipo de ação. Sabem, também, que sou favorável ao ABS e que é um dos controles eletrônicos mais importantes instalados em uma motocicleta. Aliás, deveria ter  até mesmo em bicicleta, rsrsrs ( se já não tem, perdoem-me minha ignorância). Neste modelo, onde o ABS faz parte da sua tecnologia, ficou bastante eficiente, principalmente em conjunto com o curso de suspensão maior e pneus Pirelli Sport Demon, a parada da moto ficou espetacular.

 

Mas…, com o trail e cáster menores, a Fazer ficou propensa em dar o tal do R.L, conforme a foto acima. Neste caso é necessário uma combinação de forças no manete e pedal para evitar este tipo de manobra (apesar que, confesso, quem tem a experiência desse tipo “radical” de frenagem dianteira, vai curtir muito).

 

Ver e ser visto:

Fiquei tão entusiasmado com os faróis e lanternas em LEDs que estou editando uma vídeo aula falando sobre pilotagem noturna de modo seguro (logo estará em meu canal do You Tube Carlos Amaral Instrutor). Eu, que tenho uma visão prejudicada por causa de uma forte miopia desde criança, sempre tive dificuldade em enxergar de longe. Com este farol o piloto enxerga entradas de curvas com muita nitidez quando conduzida durante a noite em estradas sem iluminação artificial. Um dos segredos das curvas é procurar sua saída  e durante a noite esta ação é mais difícil (veja o vídeo abaixo). Das mudanças dessa Fazer, a iluminação foi um ponto fortíssimo! 

Potência x Torque. O que mudou, ou melhor, o que senti?

Com coroa e pinhão de de 22 e 46 dentes, respectivamente, e alguns outros ajustes na injeção eletrônica, caixa de filtro de ar maior e por ser mais leve em seu conjunto, mesmo que tenha aumentado 0,6 cv, não senti diferença na velocidade final (até mesmo porque o motor ainda estava em amaciamento). No entanto, o torque, as retomadas e a sensibilidade no acelerador fazem a grande diferença sobre suas antecessoras. As reacelerações em saídas de curvas deram a Fazer muito mais segurança e prazer na pilotagem. Para o piloto defensivo, o torque é mais importante do que a potência.

O que eu procurei sentir nesta moto?

Na entrevista que fiz com o gerente comercial da Diamar Motos (Alessandro “Gordon”) e com um prestador de serviços que usa motocicleta diariamente (Ricardo Garcia), procurei saber deles o que acharam das mudanças dessa pequena grande notável –  Vídeo abaixo.

Então, tentei sentir da Fazer os aspectos abaixo:

1- INSTABILIDADE por causa do maior curso de suspensão. Fui enganado por minhas expectativas, pois nenhuma instabilidade senti. Pelo contrário, a moto está muito na mão. Obs. Esta moto não é uma trail, onde as suspensões de curso maior são apropriadas para uma condução mais estável. Geralmente, nas nakeds  como é o caso dessa Fazer, uma mudança de 10 mm a mais poderia afetar na estabilidade; 
2- DESCONFORTO por causa da suspensão mais dura. Também fui enganado. Ela possui 7 níveis de ajustes na suspensão traseira;
3- “SHIMMY” em maiores velocidades por causa do ângulo de cáster e trail menores. Vou ficar devendo, pois só pilotei em velocidade regida pela lei, pois o teste foi feito em situações urbanas e estradeiras;
3- TORQUE: Senti a diferença sobre suas antecessoras. Muito bom!

O que eu NÃO considerei nesta moto:

1- “Top Speed”, pois a pilotei dentro das velocidades exigidas por lei e por causa do amaciamento desse motor;

2- Designer. Gosto não se discute, embora a achei linda!

3- Conforto do garupa. Mas minha esposa andou na garupa e disse-me que era mais confortável do que muitas motos maiores que já testamos.

4- Potência. Preferi sentir mais força inicial do que velocidade final.

Em suma, as mudanças ciclística, iluminação e a “boniteza” dela, acredito que a Yamaha acertou no alvo. Sua comercialização será, sem dúvida, um sucesso.

O que? Se eu compraria uma? Claro que sim! Segurança é o que eu procuro, além de praticidade e economia, esta moto tem.

Um forte abraço a todos. MOTO É VIDA!

 

Fotos e edição: Georgia Zuliani

Texto  e teste de Carlos Amaral

Quem patrocinou? Diamar Motos, Rua Coriolano, 405, Lapa SP

 

 

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  1. Muito boa a matéria, parabéns….eu sempre gostei da Fazer “tenho uma”, sua avaliação foi excelente.

  2. Hallysson Halfa - Manhuaçu_MG diz:

    Parabéns por suas mais que certas observações sobre o modelo avaliado e sobre a maneira de se comportar ao fazer uma curva… Qdo chegar ao tópico “contra esterço” é que a coisa esquenta… Forte abraço e Sucesso mermão!

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